SEDIADA EM TORRES VEDRAS, A ACADEMIA NEGÓCIOS DA SAÚDE POSICIONA-SE COMO REFERÊNCIA NACIONAL NA FORMAÇÃO PRÁTICA PARA EMPREENDEDORES DA SAÚDE. À FRENTE DO PROJETO, ANA GONÇALVES EXPLICA A MISSÃO, OS DESAFIOS DO SETOR E O FUTURO DA GESTÃO DAS CLÍNICAS EM PORTUGAL.
COMO SURGIU A ACADEMIA NEGÓCIOS DA SAÚDE?
A ANS nasceu da minha própria dor enquanto empreendedora na saúde. Sou fisioterapeuta e tive duas clínicas. Quando comecei a gerir equipas, finanças e processos, percebi que não tínhamos formação em gestão durante o curso. Procurei especializar-me e fiz um executive master em gestão de serviços de saúde e depois um mestrado em gestão mas mesmo assim faltava algo prático, específico para quem tem uma pequena clínica. Durante a pandemia comecei a partilhar orientações, a interpretar decretos e a ajudar colegas. A adesão foi enorme e percebi que a minha capacidade de descomplicar gestão era útil. Em 2022, formalizamos a Academia Negócios da Saúde.
O QUE TORNA A VOSSA ABORDAGEM DIFERENTE?
Somos profissionais de saúde e empreendedores a ensinar quem está no terreno. Isso muda tudo. A formação não é teórica: é prática, simples, alinhada com a legislação e adaptada às rotinas de uma clínica real.Outra diferença é a equipa: muitos dos nossos mentores são antigos alunos que já implementaram o método e têm negócios que funcionam sem depender deles. Isso cria uma comunidade muito forte.
QUE PROGRAMAS OFERECEM?
Acompanhamos todas as fases do negócio. Para quem quer abrir uma clínica, temos o Clínicas do Zero, onde tratamos de toda a parte estrutural e burocrática. Para quem já abriu mas precisa de organização, equipa e marketing, existe o Clínicas de Sucesso – uma imersão de três dias. Depois temos programas de implementação de seis meses ou um ano, onde acompanhamos o empresário para ganhar autonomia. E temos o único curso certificado pela DGERT em atendimento em saúde, porque acreditamos que o atendimento é um dos pilares mais negligenciados.
COMO CLASSIFICAM O PERFIL DOS PROFISSIONAIS QUE MAIS VOS PROCURAM?
Principalmente profissionais entre os 30 e os 50 anos, já com mais de cinco anos de negócio. Chegam-nos muitas vezes esgotados, sem tempo, e a perceber que a clínica não cresce porque tudo depende deles. Costumo dizer que gostava que viessem mais cedo, porque quando decidimos abrir um negócio, precisamos também de aprender a geri-lo.
QUAIS SÃO OS PROBLEMAS MAIS COMUNS QUE IDENTIFICAM?
São quase sempre os mesmos: gestão de tempo, falta de processos, preços mal definidos e aquela crença típica de que “ninguém faz tão bem quanto eu”. Na saúde isso é muito forte. Mas mostramos que é possível delegar com segurança, ter equipas autónomas e ainda assim garantir qualidade. Nas minhas clínicas fazemos mais de 500 tratamentos por dia e eu não estou lá. Isso inspira as pessoas.
COMO TEM SIDO O VOSSO CRESCIMENTO?
Em 2023 crescemos cerca de 50%. Este ano ficámos acima dos 25%, de forma mais consciente e sustentável. Somos 11 pessoas a tempo inteiro, além dos formadores externos, e temos alunos em Portugal continental, ilhas e uma comunidade portuguesa no estrangeiro.
E EM TERMOS DE IMPACTO NO SETOR?
Realizamos o maior congresso de gestão e empreendedorismo em saúde em Portugal, com 1.200 participantes. Isso mostrou que o setor está a despertar para a importância da gestão e que existe muita sede de conhecimento prático.
O QUE ESPERA DO FUTURO DA ANS?
A formação tradicional vai mudar e queremos estar na linha da frente. Estamos a investir em inteligência artificial para criar assistentes digitais que ajudem os nossos alunos a implementar processos no dia a dia. No fundo, queremos simplificar a gestão das clínicas, reduzir a carga do empresário e trazer inovação para o setor. Vejo a ANS cada vez mais tecnológica, consultiva e transformadora, mas sempre muito próxima das necessidades reais dos profissionais de saúde.

