Ass. Port. de Asmáticos – “É POSSÍVEL VIVER COM ASMA SEM LIMITAÇÕES”


NO DIA MUNDIAL DA ASMA, O PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ASMÁTICOS, LUÍS ARAÚJO, REFORÇA QUE A MAIORIA DOS DOENTES PODE LEVAR UMA VIDA ATIVA E SEM RESTRIÇÕES, DESDE QUE TENHA ACESSO AO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO CORRETOS. EM ENTREVISTA, DESTACA O PAPEL DA ASSOCIAÇÃO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE RESPIRATÓRIA, OS AVANÇOS TERAPÊUTICOS DISPONÍVEIS E OS DESAFIOS PERSISTENTES, COMO A DESIGUALDADE NO ACESSO A TRATAMENTOS INOVADORES.

QUAL TEM SIDO O PAPEL DA VOSSA ASSOCIAÇÃO NA SENSIBILIZAÇÃO E APOIO AOS DOENTES ASMÁTICOS EM PORTUGAL?

A Associação Portuguesa de Asmático tem por objetivo promover a saúde e o bem estar do doente asmático, através da informação directa à população e do aumento da percepção dos decisores políticos sobre a importância do tratamento adequado desta doença.

O aumento do conhecimento da sua doença e dos tratamentos possíveis para a mesma é um dos fatores fundamentais para o empoderamento do doente, permitindo assim que assuma um papel proativo na gestão da sua doença.

DE QUE FORMA A VOSSA ENTIDADE TEM INOVADO NA ABORDAGEM AO TRATAMENTO, PREVENÇÃO OU ACOMPANHAMENTO DA ASMA?

A Associação Portuguesa de Asmáticos além de fornecer informação aos doentes, tem procurado junto das entidades competentes, garantir que todos os doentes têm acesso a cuidados de saúde adequados para o controlo da sua doença, bem como o acesso aos tratamentos adequados.

Muito importante, a Associação tenta que o acesso a estes tratamentos seja o mais facilitado possível e abrangente, dado que os estudos provam que existem variações regionais significativas no acesso aos cuidados de saúde nos doentes asmáticos e que esse acesso diferenciado se traduz em piores resultados de saúde relacionados com a asma nalgumas regiões.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS ATUAIS NO COMBATE À ASMA EM PORTUGAL, E QUE MEDIDAS PROPÕEM PARA OS ULTRAPASSAR?

A Asma é uma doença muito frequente e muito diversa, pelo que diferentes grupos de doentes apresentam dificuldades específicas.

Em geral, a maioria dos doentes, com asmas ligeiras a moderadas podem e devem ter uma qualidade de vida muito boa se estiverem correctamente diagnosticados (e aqui ocorre o primeiro problema – muitos doentes têm sintomas e por vezes recorrem aos serviços de urgência sem nunca terem um diagnóstico concreto de asma). É muito importante que os doentes e os profissionais de saúde estejam conscientes do papel do diagnóstico e monitorização das asma para a melhoria da qualidade de vida do doente. Um doente sem diagnóstico não vai receber o tratamento adequado (normalmente apenas faz medicação de alívio, ou seja broncodilatadores nas crises e não tem qualquer medicação de controlo, preventiva, essencial para estabilizar o seu quadro clínico).

Os números confirmam que há ainda uma quantidade muito significativa de doentes na usar e abusar destes inaladores de alívio, o que traduz uma situação de falta de controlo da asma que proporciona que ocorram mais custos para o doentes e para o sistema de saúde como um todo (com o aumento do recurso da serviços de urgência e internamentos). A maior disponibilidade de meios auxiliares de diagnósticos essenciais para a avaliação e monitorização dos asmáticos (nomeadamente de provas de função respiratória) a nível dos cuidados de saúde primários é fundamental para melhorar este primeiro aspecto. É importante após o diagnóstico que o doente tenha um acompanhamento regular da sua doença e um plano de acção estabelecido em parceria com o seu médico, em que esteja bem esclarecido o papel de cada medicação, o seu objetivo, bem como os factores de agravamento que devem alertar o doente para a necessidade de ajuste terapêutico ou de necessidade de recorrer ao seu médico assistente no caso de exacerbação. E é muitas vezes a falha nesta percepção do plano de tratamento correcto que faz com que muitos doentes apenas utilizem a medicação de alívio e se esqueçam da medicação preventiva.

Em resumo para a grande maioria dos doentes com asma pode-se referir que apesar de não existir uma cura, é possível controlar com os cuidados corretos a grande maioria dos doentes (algo que está muito longe de acontecer na realidade, em que aproximadamente metade dos doentes apresenta asma não-controlada).

No extremo oposto temos um grupo menor de doentes que apresentam asma grave (que não conseguimos controlar adequadamente com a medicação convencional e que representam grande parte da morbilidade e custos associados à doença). Para uma parte substancial desses doentes existem felizmente novos tratamentos biológicos que permitem melhorar a sua qualidade de vida.

No entanto, estes medicamentos que apresentam ainda um custo bastante elevado para o estado, apenas estão disponíveis gratuitamente para os doentes em alguns hospitais do SNS. Mais uma vez, a barreira de acesso a estes medicamentos aumenta as desigualdades territoriais entre os doentes com asma, dado que os doentes que têm a sorte de residir perto de um hospital de residência com bom acesso a consulta de especialidade terão um acesso mais fácil a estes medicamentos inovadores do que os doentes que residem mais longe ou sem acesso. Além disso, numa época em que uma parte significativa dos portugueses recorre ao sector privado e social da saúde, é incompreensível que, ao contrário do que acontece p.e. nas doenças reumatológicas, no caso dos doentes com asma grave, o acesso a este medicamentos inovadores esteja vedado a estes doentes. Desta forma, a Associação pretende que o acesso a estes medicamentos seja mais universal e precoce, de modo a melhorar a qualidade de vida destes doentes mais graves.

COMO TEM SIDO A COLABORAÇÃO COM ENTIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS NA PROMOÇÃO DA SAÚDE RESPIRATÓRIA E DA QUALIDADE DE VIDA DOS ASMÁTICOS?

A Associação Portuguesa de Asmáticos tem estado activa junto das instituições públicas e em estreita colaboração com associações de doentes a nível europeu, bem como com as principais sociedades científicas envolvidas no estudo da Asma, procurando sempre reflectir a visão do doente dentro destas instituições de modo que, em conjunto, se possam definir as estratégias mais eficazes para obter o controlo da doença.

QUE MENSAGEM GOSTARIAM DE DEIXAR À COMUNIDADE PORTUGUESA NESTE DIA MUNDIAL DA ASMA?

A mensagem que gostaríamos de deixar aos doentes com asma é uma mensagem positiva, dizendo aos doentes e aos seus familiares que atualmente é possível controlar a grande maioria dos casos, sendo possível uma vida normal, ativa e sem restrições. Mesmo nos casos mais graves têm sido descobertos novos fármacos que estão a permitir controlar cada vez mais doentes. Se a sua Asma ou dos seus familiares não estão controladas deve procurar ajuda junto do seu médico assistente para procurar o melhor tratamento possível de modo a melhorar a sua situação e não resignar-se perante a doença.