NUM SETOR TRADICIONALMENTE CONSERVADOR, A ATLANTIC GOLD APOSTA NA TECNOLOGIA, COM FOCO NO CLIENTE E EM VALORES FAMILIARES PARA REDEFINIR OS PADRÕES DA LAVANDARIA INDUSTRIAL. INÊS E ROMAN HRYNIV, DIRETORES DA EMPRESA, EXPLICAM COMO TRANSFORMARAM UM NEGÓCIO FAMILIAR NUM EXEMPLO DE INOVAÇÃO, DIGITALIZAÇÃO E CUIDADO HUMANO.
COMO NASCEU A ATLANTIC GOLD E QUAL FOI A VOSSA MOTIVAÇÃO INICIAL?
A empresa tem raízes familiares. Começou com o Sr. Vasyl e Verónica Hryniv, os pais do Roman, que são os sócios-gerentes da lavandaria. Eles iniciaram este percurso, juntamente com o Roman, e eu juntei-me ao projeto há oito anos. Desde o início, o foco foi atender com qualidade e atenção às necessidades dos clientes, sobretudo no segmento industrial. Começámos com uma pequena loja e fomos crescendo de forma natural.
Hoje, a Atlantic Gold conta com cerca de 2000 m2 de área e emprega 70 colaboradores.
Tivemos um crescimento sustentado, sempre com o objetivo de dar resposta ao que os clientes precisam no dia a dia. A lavandaria começou como um negócio de proximidade, mas a exigência do serviço e o nosso gosto por resolver problemas complexos levaram à expansão para outras áreas — hoje temos três áreas de negócio bem definidas: a lavandaria industrial, a área comercial e a inovação tecnológica.
EM QUE CONSISTE ESSA APOSTA NA INOVAÇÃO?
Desde sempre procurámos soluções que nos facilitassem a vida e melhorassem o serviço para o cliente. Foi assim que nasceu o T-Point, um sistema que permite, por exemplo, aos ginásios saberem se as toalhas foram entregues ou não. Parece simples, mas resolve um problema real e recorrente. Também desenvolvemos uma aplicação que permite fazer o rastreio da roupa em todas as fases do processo, desde a recolha até à entrega, com o apoio de tecnologia RFID. Isto traz transparência e controlo tanto para nós como para o cliente.
Antes, muita coisa era feita à mão — contagens, registos. Hoje já não há contacto direto nesse processo. Está tudo digitalizado. A aplicação até dá dicas ao colaborador sobre o que fazer com cada tipo de peça — se é roupa de cor, se deve ir para uma máquina específica, etc.
QUE OUTROS BENEFÍCIOS TROUXERAM ESSAS SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS?
A tecnologia permite-nos dar respostas rápidas, mesmo nos momentos mais exigentes, como é o caso do verão. Temos uma capacidade de logística muito ampla — desde a Nazaré até à Grande Lisboa — e agora conseguimos acompanhar tudo em tempo real. Isso aumentou imenso a confiança dos clientes. E também ajudou-nos a gerir melhor os excessos, que eram um grande problema. Muitas vezes não se sabia o que estava a ser entregue, em que quantidade, ou se faltava alguma peça. Hoje conseguimos ter um controlo preciso do que entra, do que sai, e onde está cada artigo. A eficiência aumentou muito.
A GESTÃO DA OPERAÇÃO PARECE BASTANTE EXIGENTE. DE QUE FORMA FAZEM ESSA GESTÃO?
É uma operação complexa, sem dúvida. As máquinas são pesadas, os processos exigem atenção constante e há um rigor diário que tem de ser mantido. Por isso apostamos tanto na especialização. Queremos que cada colaborador saiba exatamente o que está a fazer e porquê, para que o serviço seja não só rápido, mas também seguro e de alta qualidade.
Há uma dimensão invisível na lavandaria que muitos não conhecem: a gestão de stock, de rotas, de turnos. Um erro numa entrega pode afetar o funcionamento de um hotel inteiro. Trabalhamos muito para que isso não aconteça. E é essa confiança que nos permite crescer.
ALÉM DA TECNOLOGIA, COMO DEFINEM O VOSSO POSICIONAMENTO NO SETOR?
Somos uma empresa com um ADN muito humano. Valorizamos as nossas pessoas. Sabemos que é um trabalho duro — com frio no inverno, com calor no verão, e com muita exigência física e mental. Tentamos dar-lhes condições, formar equipas coesas e transmitir que o trabalho delas é essencial. Isso reflete-se no serviço.
Queremos que o cliente esteja tranquilo, que confie. Trabalhamos com parceiros de confiança, por exemplo na área da química, para garantir que a qualidade do tratamento têxtil é excelente. O nosso objetivo é que os clientes deixem de ter de se preocupar com a lavandaria, porque isso é um peso a menos para eles.
COMO VEEM O FUTURO DA ATLANTIC GOLD?
Queremos continuar a crescer, mas de forma sustentável. Sabemos que temos capacidade e experiência. Agora, estamos a tornar essa experiência mais visível e mais acessível aos nossos clientes. Queremos ser reconhecidos não só pela qualidade do serviço, mas também pela inovação e proximidade.
O setor da lavandaria é muito específico e exige um conhecimento profundo. Estamos a falar de equipamentos de grande dimensão, com custos de manutenção elevados, e processos delicados. Achamos que deve haver uma especialização real. Essa é a nossa missão: sermos especialistas e parceiros de confiança, e continuar a elevar o padrão do setor em Portugal.

