CHEP – “LOGÍSTICA CIRCULAR REDEFINE O FUTURO SUSTENTÁVEL DAS CADEIAS DE ABASTECIMENTO”


A SUSTENTABILIDADE E A INOVAÇÃO SÃO CADA VEZ MAIS IMPERATIVOS PARA TRANSFORMAR AS CADEIAS DE ABASTECIMENTO GLOBAIS. NESTA ENTREVISTA, PAULA SARDINHA, COUNTRY MANAGER DA CHEP, EXPLICA DE QUE FORMA A EMPRESA ESTÁ A REVOLUCIONAR A LOGÍSTICA ATRAVÉS DE UM MODELO BASEADO NA ECONOMIA CIRCULAR E NO POOLING DE PALETES REUTILIZÁVEIS.

A CHEP É MUITAS VEZES REFERIDA COMO UMA DAS EMPRESAS DE LOGÍSTICA MAIS SUSTENTÁVEIS DO MUNDO. O QUE TORNA O VOSSO MODELO DE NEGÓCIO VERDADEIRAMENTE DIFERENTE DOS SISTEMAS LOGÍSTICOS TRADICIONAIS?

O modelo de negócio da CHEP distingue-se dos sistemas logísticos tradicionais por se basear na Economia Circular e no conceito de pooling de paletes e contentores reutilizáveis. Em vez de depender de embalagens ou plataformas descartáveis, a CHEP promove a partilha, reutilização e reparação das suas paletes, eliminando os resíduos associados ao uso único. Além disso, combinamos este modelo com tecnologias digitais avançadas, permitindo monitorizar e otimizar os movimentos logísticos, reduzindo emissões e aumentando a eficiência operacional.

Mas o compromisso da CHEP com a sustentabilidade vai além do nosso modelo de negócio intrinsecamente sustentável. Estabelecemos um ambicioso plano de sustentabilidade a cinco anos, que está prestes a ser concluído em 2025, com o objetivo de liderar cadeias de abastecimento verdadeiramente regenerativas. Isto significa passar de sistemas degenerativos, que desperdiçam recursos, para modelos regenerativos, que restauram a natureza e fortalecem a sociedade. Em outras palavras, devolver mais ao planeta do que aquilo que retiramos, ultrapassando os esforços de redução de impacto para além do zero.

Este plano inclui metas concretas e mensuráveis, como restaurar florestas, alcançar emissões líquidas zero em toda a nossa cadeia de abastecimento até 2040, ou eliminar completamente o envio de resíduos para aterros em todas as localizações da CHEP e dos seus subcontratados, entre outros objetivos.

O MODELO DE POOLING É APONTADO COMO UMA ALTERNATIVA MAIS SUSTENTÁVEL AOS SISTEMAS LOGÍSTICOS TRADICIONAIS. NA PRÁTICA, COMO FUNCIONA ESTE MODELO E O QUE O TORNA MAIS ECOLÓGICO?

Na prática, o modelo de pooling funciona como um sistema de aluguer de paletes e contentores reutilizáveis. A CHEP disponibiliza as suas paletes aos clientes, que são maioritariamente produtores e distribuidores, para que estes as utilizem no transporte de produtos para centros de distribuição ou retalhistas. Após a utilização, as paletes são recolhidas pela CHEP, submetidas a inspeções rigorosas, reparadas caso apresentem danos, e reintegradas no ciclo logístico. Este processo contínuo reduz significativamente a necessidade de produzir novas paletes, prolonga o ciclo de vida dos materiais e minimiza a produção de resíduos.

Este modelo destaca-se por ser mais ecológico do que o chamado sistema de “troca branca” ou paletes descartáveis para venda, pois promove a reutilização constante das mesmas plataformas, reduzindo assim o consumo de recursos naturais, como madeira e plástico. Além disso, evita o descarte de paletes de uso único. É também importante referir que o modelo de pooling reforça o compromisso com a sustentabilidade através da redução de emissões de CO2, alcançada pela otimização das rotas de transporte e pela promoção da colaboração entre empresas, o que diminui os quilómetros percorridos com camiões vazios.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS RESULTADOS OU MÉTRICAS QUE DEMONSTRAM O IMPACTO AMBIENTAL POSITIVO DO POOLING NA OPERAÇÃO DA CHEP?

Os resultados alcançados são variados e significativos. Relativamente às poupanças ambientais obtidas pelos nossos clientes ao utilizarem as nossas soluções, os números globais referentes ao ano fiscal de 2024 incluem: 1.861 kt de emissões de CO2 evitadas, 4.265 megalitros de água poupados, 2,2 milhões de m3 de madeira preservados, 1,3 milhões de toneladas de resíduos evitados, bem como 2,6 milhões de árvores replantadas e 1,7 milhões de árvores cultivadas de forma sustentável no âmbito do nosso segundo programa de reflorestação.

Além disso, as nossas soluções de transporte colaborativo implementadas na Europa permitiram evitar mais de 5.200 toneladas de emissões, traduzindo-se também numa poupança de 8,7 milhões de euros para os nossos clientes.

Este desempenho ambiental e económico tem sido amplamente reconhecido por organismos globais, como o CDP e o Índice de Sustentabilidade Dow Jones, que destacaram tanto a CHEP como a sua empresa-mãe, Brambles, pelo seu compromisso com práticas sustentáveis e liderança no setor.

DE QUE FORMA ASSEGURAM QUE O MODELO DE POOLING NÃO SÓ REDUZ EMISSÕES, MAS TAMBÉM MELHORA A EFICIÊNCIA OPERACIONAL DOS CLIENTES?

Através do nosso modelo de operação intrinsecamente sustentável, criamos cadeias de abastecimento mais eficientes, reduzindo custos operacionais, desperdícios e a pressão sobre os recursos naturais, enquanto permitimos que os nossos clientes paguem apenas pelas plataformas que utilizam. Ao assumirmos a gestão completa das paletes (entrega, recolha, inspeção, reparação), libertamos os nossos clientes destas tarefas logísticas e administrativas, permitindo-lhes focar-se no seu core business. Isto inclui também a redução de custos administrativos, eliminando a necessidade de compra e troca de paletes, simplificando processos e reduzindo despesas operacionais.

Para além dos nossos produtos, oferecemos serviços que vão mais longe na busca pela sustentabilidade e eficiência operacional. Um exemplo são as nossas Soluções de Transporte Colaborativo, que visam otimizar rotas através da partilha de camiões e fluxos logísticos entre diferentes empresas, permitindo uma redução significativa dos quilómetros percorridos com camiões vazios e dos custos associados ao transporte.

Adicionalmente, a CHEP utiliza tecnologias digitais avançadas, como dispositivos de rastreamento, que permitem monitorizar e otimizar os movimentos das paletes, melhorando a gestão de inventários, evitando atrasos, identificando problemas e, em última análise, aumentando a eficiência.

COMO É FEITA A MANUTENÇÃO E GESTÃO DESSAS PLATAFORMAS REUTILIZÁVEIS AO LONGO DA CADEIA LOGÍSTICA PARA GARANTIR QUALIDADE, SEGURANÇA E DURABILIDADE?

A manutenção e gestão das nossas plataformas reutilizáveis seguem um processo padronizado. Após serem utilizadas pelos clientes, as paletes e contentores são recolhidos e devolvidos aos centros de serviço da CHEP, onde passam por uma inspeção para identificar possíveis danos ou sinais de desgaste. Caso sejam detetados problemas, as paletes danificadas são reparadas seguindo um processo de higienização sob os mais elevados padrões de segurança e qualidade. Por fim, após a conclusão da manutenção, as paletes e contentores são reintegrados na rede de pooling, prontos para serem reutilizados.

Este processo prolonga consideravelmente o ciclo de vida das nossas plataformas, em comparação com alternativas descartáveis.

QUE PAPEL O MODELO DE POOLING PODE TER NA CONSTRUÇÃO DE CADEIAS DE ABASTECIMENTO VERDADEIRAMENTE CIRCULARES E RESILIENTES NO FUTURO?

O modelo de pooling desempenha um papel central na construção de cadeias de abastecimento circulares e consolidadas, promovendo a reutilização contínua de recursos, o que reduz a dependência de matérias-primas e minimiza o impacto ambiental. Este modelo potencia a capacidade das empresas de oferecer uma solução padronizada e eficiente, ajudando-as a enfrentar desafios como escassez de materiais, flutuações de preços e interrupções nas cadeias de abastecimento.

Além disso, o pooling está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), contribuindo diretamente para metas como consumo e produção responsáveis, ação climática e parcerias para a implementação de objetivos globais. Este modelo de gestão e partilha de recursos incentiva parcerias entre empresas para partilhar ativos e otimizar fluxos logísticos, contribuindo, em última instância, para a construção de redes mais robustas, resilientes e interconectadas.