NR3 IT Limited – “QUEREMOS SER UM VERDADEIRO PARCEIRO DE TECNOLOGIA”


FUNDADA POR PORTUGUESES NA IRLANDA, A NR3 IT LIMITED ESPECIALIZOU-SE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TECNOLÓGICOS A EMPRESAS INTERNACIONAIS, APOSTANDO EM EQUIPAS INTEGRADAS, PROXIMIDADE COM OS CLIENTES E UM MODELO DE CRESCIMENTO ORGÂNICO. EM ENTREVISTA À REVISTA QUALIDADE & INOVAÇÃO, RICARDO CARVALHO E RUI LOPES EXPLICAM COMO COMEÇARAM, O QUE OS DISTINGUE E QUAL É A VISÃO PARA O FUTURO.

COMO NASCEU A NR3 IT LIMITED?

A empresa foi criada em 2015. Na altura, éramos quatro: o Nuno, o Rui, o Ricardo e o Rory. Daí o nome: “NR3” é referente N de Nuno mais os “3 Rs”. O Nuno acabou por sair logo no início, mas mantivemos o nome, porque acaba por despertar curiosidade, por isso nunca sentimos necessidade de mudar.

Começámos com projetos pequenos, à medida que iam surgindo. Em 2018, recebemos um pedido mais exigente, um cliente precisava de uma equipa de seis ou sete pessoas durante um ano. Foi aí que decidimos abrir o primeiro escritório em Portugal, e começámos a ter uma presença física mais estruturada.

COMO FOI O INÍCIO DO PROJETO EM PORTUGAL?

O início foi modesto. A primeira sala era muito pequena, sem janelas. Mal cabíamos lá dentro. Mas foi um ponto de partida. Com o tempo, mudamo-nos para um espaço um pouco maior e fomos crescendo.

Antes da pandemia, já estávamos a discutir trabalho remoto, mas o Covid antecipou essa mudança. A nossa forma de trabalhar já previa reuniões online porque tínhamos clientes e sócios fora de Portugal. Isso fez com que a transição fosse muito mais simples para nós.

CRESCERAM MESMO SEM EQUIPA DE VENDAS?

Sim. Até há cerca de um ano não tínhamos ninguém na área comercial. Os projetos surgiam por recomendação, ou seja, clientes satisfeitos que nos indicavam a outros. Foi tudo muito orgânico. Só agora começamos a estruturar um pouco melhor essa parte, à medida que a empresa vai crescendo.

QUE TIPO DE SERVIÇOS PRESTAM HOJE?

Temos duas grandes áreas: Team Augmentation (reforço de equipas dos clientes com os nossos profissionais) e desenvolvimento de produto de A a Z. Há clientes que nos pedem um projeto completo, desde a análise até aos testes, e outros que precisam de reforçar uma equipa com dois ou três perfis técnicos específicos.

Também temos produtos próprios, embora tenham ficado em pausa nos últimos tempos por falta de tempo. O objetivo é retomar essa linha com uma equipa dedicada e sem comprometer a sustentabilidade da empresa.

TRABALHAM SOBRETUDO COM CLIENTES INTERNACIONAIS?

Sim. Temos escritório em Dublin, o que facilita a confiança e proximidade com os clientes irlandeses. É diferente trabalhar com uma empresa que está no mesmo fuso horário, que fala a mesma língua e que tem presença física. Muitos dos nossos clientes já passaram por experiências menos positivas com outsourcing para a Índia ou Europa de Leste, e connosco sentem uma ligação mais direta.

O nosso modelo passa por integrar os nossos profissionais nas equipas dos clientes, como se fossem colaboradores internos. Acreditamos que isso faz toda a diferença.

E PORQUÊ APOSTAR EM TALENTO PORTUGUÊS?

Porque o talento português é mesmo muito bom. Lá fora, há clientes que abrem vagas apenas para portugueses, especialmente na área da saúde, mas também em tecnologia. Os portugueses têm boa formação, falam bem inglês e, talvez o mais importante, têm uma capacidade de adaptação e de resolver problemas de forma prática que é muito valorizada.

Aquela ideia do “desenrascanço” é real: em contextos mais rígidos, como nos países nórdicos, onde tudo funciona bem até algo correr fora do plano, ter alguém que consegue improvisar e encontrar soluções faz mesmo a diferença.

QUE VISÃO TÊM SOBRE A APLICAÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

Para nós, o AI é uma ferramenta. Não acreditamos que vá substituir pessoas, mas sim torná-las mais eficientes. Acreditamos que as empresas que souberem integrar o AI de forma inteligente, com pessoas treinadas para utilizar, vão estar em vantagem. O que não queremos é usar tecnologia só porque está na moda. O AI sozinho não faz nada. É preciso alguém que o saiba orientar. A nossa abordagem é sempre: como é que isto ajuda a nossa equipa a fazer melhor?

O VOSSO CRESCIMENTO FOI FEITO COM CAPITAL PRÓPRIO. NUNCA PENSARAM EM PROCURAR INVESTIMENTO?

Não. Sempre quisemos crescer com os nossos próprios meios. Nunca recorremos a bancos, nem a investidores externos. Começámos com o que tínhamos. Isso permitiu-nos manter a autonomia nas decisões e garantir que os nossos valores estão sempre no centro: respeito pelas pessoas, equilíbrio vida/trabalho e um modelo justo de remuneração.

Acreditamos que quem faz o trabalho deve receber a maior parte do valor. Sabemos que podíamos maximizar lucros como outras empresas fazem, mas recusamos seguir esse caminho.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS DE MANTER ESSE EQUILÍBRIO?

O maior desafio é manter as pessoas motivadas e felizes, mesmo quando não há um projeto imediato para alocar. Temos tentado criar margem suficiente para que, quando alguém está entre projetos, possa ajudar no desenvolvimento de produtos ou em iniciativas internas. Queremos que, quando alguém sair da NR3 IT Limited (se sair), saia melhor do que entrou.

Estamos atentos à evolução do mercado, sobretudo ao impacto do AI, e queremos preparar a nossa equipa para estar sempre um passo à frente.

QUE OBJETIVOS TÊM PARA OS PRÓXIMOS ANOS?

Queremos continuar a crescer de forma sustentável. Apostar cada vez mais na nossa equipa, reativar os nossos produtos próprios e manter o modelo de proximidade com os clientes. Queremos ser um verdadeiro parceiro de tecnologia, não apenas um fornecedor de recursos.

Mais do que fazer um projeto e seguir caminho, o que nos interessa é construir relações duradouras, em que os clientes sintam que somos mesmo parte da equipa deles.